segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

PERDAS E JULGAMENTOS

Havia numa aldeia um velho pobre, mas até reis o invejavam, pois ele tinha um lindo cavalo branco. Ofereciam quantias fabulosas pelo animal, mas o homem dizia:
- Senhor, este cavalo não é um cavalo a ser usado por mim,
pois é uma pessoa.  E como pode-se vender uma pessoa, um amigo? O homem era pobre, porém, jamais o vendeu. Numa dada manhã, descobriu que o cavalo não estava na cocheira.
A aldeia inteira se reuniu e as pessoas disseram:
- Seu velho estúpido! Sabíamos que um dia o cavalo seria roubado.
Teria sido melhor vendê-lo. Que desgraça!
O velho respondeu:
- Não cheguem a tanto. Simplesmente digam que o cavalo não está mais na cocheira.
Este é o fato. O resto é julgamento! Se é uma desgraça ou uma benção, não sei, pois este é apenas um fragmento. Quem pode saber o que vai ser?
As pessoas riram do velho. Elas sempre souberam que ele era um pouco maluco.Quinze dias depois, numa noite, o cavalo voltou. Ele não havia sido roubado, tinha fugido para a floresta. E não apenas isso: trouxe consigo uma dúzia de cavalos selvagens.
O povo da aldeia então disse ao velho:
- Você estava certo, velho. Não se tratava de uma desgraça; na verdade,
provou ser uma benção.
 
O velho falou:
- Novamente vocês estão se adiantando. Apenas digam que o cavalo está de volta. Se é uma benção ou não, quem sabe? Esta é apenas um fragmento. Ao ler uma única palavra de uma sentença, como vocês podem julgar todo o livro?
Desta vez as pessoas não podiam dizer muito, mas anteriormente pensaram que ele estava errado. Afinal, lindos cavalos tinham vindo. O velho tinha um único filho que começou a treinar os cavalos selvagens. Apenas uma semana depois, ele caiu de um cavalo e fraturou as pernas e novamente as pessoas se reuniram e julgaram.
Elas disseram:
- Você tinha razão novamente, foi uma desgraça. Seu único filho perdeu o uso das pernas e na sua velhice ele seria seu único amparo.
Agora você está mais pobre do que nunca.

 

O velho disse:
- Vocês estão obcecados por julgamentos. Não se adiantem tanto.
Digam apenas que meu filho fraturou as pernas. Ninguém sabe se isso é uma desgraça  ou uma benção. A vida vem em fragmentos. Mais que isso nunca é dado.
 
Aconteceu que, depois de algumas semanas, o país entrou numa guerra e todos os jovens da aldeia foram forçados a se alistar. Somente o filho do velhofoi deixado para trás, pois era aleijado. A cidade inteira chorava, lamentando-se, porque sabiam que era uma luta perdida e que a maior parte dos jovens jamais voltaria.
 Elas vieram até o velho e disseram:
- Você tinha razão velho. Aquilo se revelou uma benção. Seu filho pode estar aleijado, mas ainda está com você. Nossos filhos se foram para sempre.
O velho disse:
- Vocês continuam julgando. Ninguém sabe! Digam apenas que seus filhos foram
forçados a entrar para o exército e que o meu não foi. Somente Deus, a totalidade, sabe se isso é uma benção ou uma desgraça.
*****

Não julgue, pois jamais se tornará um com a totalidade.
Você ficará obcecado com fragmentos e tirará conclusões a partir de coisas pequenas. Quando você julga, deixa de crescer. Julgamento significa um estado mental estagnado. E a mente
sempre deseja julgar, pois estar em progresso é sempre
arriscado e desconfortável.
Na verdade, a jornada nunca chega ao fim. Um caminho termina, outro começa; u
ma porta se fecha, outra se abre.
Você atinge um cume e sempre surge outro mais alto.
Deus é uma jornada sem fim. Somente os tão corajosos a ponto de não se importarem com a meta, e que se contentam com a jornada e com simplesmente viver o momento e nele crescer, somente esses são capazes de caminhar com a totalidade.
 
(Autor desconhecido)
 

domingo, 6 de janeiro de 2013

Luto Proibido - Ingrid Esslinger

Cada cultura tem suas próprias representações sobre o fim da vida e regras para a expressão do pesar. Na sociedade ocidental contemporânea a morte prevalece de duas formas: tanto como interdita, oculta e evitada quanto escancarada e até banalizada pela mídia. Na primeira perspectiva, é vista como vergonhosa, como algo que "não deve acontecer", sendo associada a intensos sentimentos de fracasso e impotência. A morte escancarada é aquela na qual não há possibilidade de mediação: ela invade nosso cotidiano por meio dos veículos de comunicação de massa e pela violência à qual estamos constantemente expostos.

Essas representações são fundamentais para entender como a sociedade se organiza no que se refere ao luto - a dimensão pública do pesar - e principalmente a suas manifestações e rituais. É importante considerar que esse fenômeno tem uma interface individual, subjetiva, e outra, social.

O processo tem início após a perda significativa de um objeto-entendido aqui no sentido psicanalítico, ou seja, uma pessoa, um relacionamento e até uma situação que tenham sido investidos de afeto e energia e com o qual se tem um vínculo forte. Entretanto, aquilo que é considerado significativo para quem sofreu a perda nem sempre é reconhecido e valorizado da mesma forma pela sociedade. E aí está a origem de sua faceta proibida, "não franqueada" e/ou não reconhecida.

O papel-tarefa do luto é dar um sentido à perda para que a pessoa enlutada consiga seguir em frente. O psiquiatra e psicanalista inglês John Bowlby (1907-1990) define como tarefa desse processo reconhecer e aceitar a realidade; lidar com os problemas que advêm da experiência da perda, permitindo que a pessoa se reorganize sem a presença do objeto perdido. Uma das principais condições para que esse "trabalho" (já que se dá no tempo e exige empenho) se complete é a possibilidade de expressão e compartilhamento da dor.
No entanto, no luto não franqueado isso se torna praticamente impossível: prevalecem os sentimentos de culpa, vergonha,
raiva e medo.

A cena descrita na página ao lado retrata a enorme solidão e o risco de adoecimento daqueles que vivem o luto não permitido.
Segundo Kenneth J. Doka, nesses casos não há apoio social nem legal ou reconhecimento, impossibilitando que o enlutado expresse seu pesar e partilhe sentimentos. É o que G. Caselatto define como dor silenciada, pois há regras de como, quando, quem, por quem e porquanto tempo o processo de luto deve ser vivido.
Em linhas gerais, esses aspectos estão presentes,
ficando mais evidenciados em situações não franqueadas.

Todas as situações que envolvem o não reconhecimento do luto (ver quadro acima) são carregadas de estigma, segredo, impossibilidade de rituais e sofrimento não expressado: condições que estão na base de um luto complicado. Adoto esse termo para substituir a ex-pressão "luto patológico", que repete o modelo médico, cristalizando a noção de "normal" e "não normal".

Para que aquele que sofre com a perda continue sua vida, sem estancar, é preciso entender (emocionalmente e não apenas intelectualmente) que, apesar da morte da pessoa querida, sua existência continua na memória do que foi vivido.

O que define se uma reação é considerada saudável ou não é a intensidade com que determinados sintomas se manifestam. A pergunta que deve ser feita é: por que algumas pessoas não conseguem gradativamente, retomar sua vida? Vários sintomas são esperados, tanto na esfera cognitiva quanto comportamental, social e emocional, e, no que se refere ao critério temporal, é sabido que o primeiro ano da perda é particularmente difícil, pois remete a todas as datas significativas que serão experimentadas, dali em diante, sem a presença da pessoa - são as chamadas reações de aniversário.

Assim como existem fatores de risco para luto complicado (mortes súbitas, violentas, perdas múltiplas, precoces, desaparecimento e suicídio), existem aspectos que ajudam na elaboração - eles são de ordem individual, familiar, religiosa e social. Destaco, entretanto, a possibilidade de ter esse sentimento validado, reconhecido, expressado em suas diferentes formas, principalmente nos rituais. Para aqueles que vivenciam um luto não autorizado é fundamental procurar formas de acolhimento com algum amigo que possa assumir o papel de confidente ou com um profissional capaz de ajudá-los a atravessar a dor.

PARA SABER MAIS:
Dor silenciosa ou dor silenciada? Perdas e lutos não reconhecidos por enlutados e sociedade G. Casellato (org). Livro Pleno, 2005.
 NOTA DO BLOG:
Esse texto foi publicado na revista Mente & Cérebro (01/01/2011) e chama atenção pela ênfase que a autora dá a necessidade de compartilhar o sentimento de luto e, além disso, fala sobre a necessidade de dar prosseguimento à vida.

sábado, 5 de janeiro de 2013

Para reflexão:

"Uns queriam um emprego melhor; outros, um emprego...
Uns queriam uma refeição mais farta; outros, apenas uma refeição...
Uns queriam uma vida mais amena; outros, apenas viver...
Uns queriam ter pais mais esclarecidos; outros, apenas ter pais...
Uns queriam ter olhos claros; outros, apenas enxergar...
Uns queriam ter voz bonita; outros apenas falar...
Uns queriam o silêncio; outros, ouvir...
Uns queriam um sapato novo; outros, ter pés...
Uns queriam um carro; outros, andar...
Uns queriam o supérfluo...
Outros, apenas o necessário..."
 
(Chico Xavier)
 

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Transformação

Não é um novo dia, um inicio de semana, um novo mês,
o inicio de um novo ano,
a mudança de estado ou cidade quem vai transformar a sua vida,
mudar seu caráter ou fazer você crescer!
O que transforma é a decisão unica de mudar,
a decisão de se disponibilizar a perder pra ganhar,
a decisão de se afastar de certas coisas e
se aproximar das essenciais,
a decisão de determinar e não voltar atrás!
Quem mais pode fazer por você é você mesmo,
então se quer algo ou alguém lute,
mude internamente que automaticamente o exterior mudará
com e por você!
 
 

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Todo o dia é ano novo.

Todo dia é ano novo entre a lua e as estrelas,
num sorriso de criança, no canto dos passarinhos,
num olhar, numa esperança...

 
Todo dia é ano novo na harmonia das cores,
na natureza esquecida, na fresca aragem da brisa,
na própria essência da vida.

 
Todo dia é ano novo no regato cristalino,
pequeno servo do mar,
nas ondas lavando as praias na clara luz do luar...

 
Todo dia é ano novo na escuridão do infinito,
todo ponteado de estrelas,
na amplidão do universo, no simples prazer de vê-las,
nos segredos desta vida, no germinar da semente.

 
Todo dia é ano novo nos movimentos da Terra que gira incessantemente.

Todo dia é ano novo no orvalho sobre a relva,
na passarela que encanta, no cheiro que vem da terra e
no sol que se levanta.

Todo dia é ano novo nas flores que desabrocham perfumando a atmosfera, nas folhas novas que brotam anunciando a primavera.
Você é capaz, é paz, é esperança.
Todo dia é ano novo
no colorido mais belo dos olhos dos filhos seus...
Você é paz, é amor e alegria de Deus.
Não há vida sem volta e não há volta sem vida,
no ciclo da natureza neste ir e vir constante.

No broto que se renova,
na vida que segue adiante em quem semeia bondade,
em quem ajuda o irmão colhendo felicidade,
cumprindo a sua missão.

Todo dia é ano novo...
portanto...
Feliz ano novo todo dia!

(autor desconhecido)
 

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Recomeçar (Louise Figueredo)

Recomeçar é buscar com fé um novo caminho. E dar início as transformações para o novo ano que se inicia.
Dar asas aos projetos que até então ainda nem foi para o papel
Dar passos mais largos e firmes. Iniciar novas conquistas. 
Celebrar os acertos do passado agradecendo por cada degrau e aprendizado.

Recomeçar é reunir as lições que aprendeu e
criar a receita para uma nova vitória.
Reconstruir sobre os próprios erros.
Reencontrar-se com a alegria e o prazer de estar só
em sua própria companhia.

E sentir a presença de Deus na essência de sua alma.

Voar de encontro a quietude tão sonhada

Recomeçar, é ter esperança, acreditar de novo...
Acreditar em um novo mundo, em um mundo melhor.
De regeneração, de paz, de luz...
Tomar consciência que fazemos parte de um todo e,
nesse todo estão todas as criaturas existentes do universo.

Revigorar-se em oração de agradecimento ao Pai.

Reaprender a sorrir, entregando-se a alegria do momento presente

Respeitar e valorizar as pessoas da mesma forma que
gostaria que elas lhe tratassem.
Prestar a caridade, ajudando ao próximo com contentamento e satisfação, não como uma obrigação.

Reencontrar os amigos para um bate papo
somente pelo motivo de estar juntos.
Abrir espaços em seu coração para novas amizades.
Buscar o outro que precisa de um amigo, uma palavra, um apoio.

Respeitar, valorizar, ser fiel, leal,
companheiro e cuidar da pessoa que está ao seu lado.

Isso é amar concretamente.

Buscar, compartilhar palavras, pensamentos, sentimentos e atitudes de amor, fé e sabedoria.
Tempo que nos convida a refletir nossas ações para conosco e
nossos semelhantes.
Nos convida a reiniciar uma nova era íntima
Deixarmos de lado a covardia e
assumirmos compromissos com coragem, amor e responsabilidade.

Se se sente triste e só,
encontre um trabalho voluntário com idosos, crianças,
grupos religiosos... lá encontrarás a alegria de servir,
de ser útil, e irá compartilhar esses momentos e
fazer novas amizades.
Pense em um novo curso, de artes, dança, línguas...

A Terra é uma universidade passando por grandes transformações, precisamos acompanha-la.
Todos temos um caminho a seguir
que nem sempre é igual ao dos outros.
É preciso resgatar, aprender, solidificar.

Se você ainda não assumiu um amor,
é tempo de levar a sério, amadurecer
Decida-se! Pare de sofrer e fazer sofrer.
Ame e permita-se amar, você tem capacidade!
É preciso ter compromissos concretos com o outro
para crescer como ser humano e espírito imortal.

Se está sozinho,
pense em compartilhar momentos de felicidade com alguém especial, mas busque esse alguém com os olhos da alma.

Se pensa em se separar, reavalie os motivos,
será que vale a pena?
Será que não seria você que precisa se modificar, amadurecer?
  Dê oportunidade ao diálogo,
para estabelecer chances de reintegrar novos costumes.
Eleve seus habitos!

É preciso mudar! E parar de enganar a si próprio.
Sem mudanças a vida não caminha para a frente, não renova,
nada melhora.

Permita que Jesus reencarne em sua vida

Viva para construir novas oportunidades
Construa para edificar uma vida melhor e
cheia de momentos felizes.

É tempo de EVOLUIR.
Então se mexa! Inicie agora.
Feliz vida nova.
Feliz RECOMEÇAR!








 




terça-feira, 1 de janeiro de 2013

MENSAGAM DE ANO NOVO

Cortar o tempo...
Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias,
a que se deu o nome de ano,
foi um indivíduo genial.

Industrializou a esperança,
fazendo-a funcionar no limite da exaustão.

Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e
entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez,
com outro número e outra vontade de acreditar que
daqui pra diante vai ser diferente.

(Carlos Drummond de Andrade)